Quando um país perde competitividade por falhas na condução de sua política comercial, não são apenas as empresas exportadoras que pagam a conta. O preço é cobrado de toda a sociedade. É exatamente isso que começará a ocorrer com o Brasil.
A imposição de tarifas aos produtos brasileiros representa muito mais do que uma barreira às exportações. Ela expõe a incapacidade de preservar mercados estratégicos e evidencia o elevado custo de substituir a diplomacia econômica por discursos que não produzem resultados concretos para quem gera emprego, renda e desenvolvimento.
O Rio Grande do Sul será um dos estados mais penalizados. Aproximadamente 87% das exportações gaúchas estão sujeitas às novas tarifas, percentual muito superior aos 23% das exportações brasileiras atingidas. Trata-se de um impacto desproporcional sobre uma economia cuja vocação exportadora sempre foi um dos pilares do seu crescimento.
As estimativas indicam que o Brasil poderá perder cerca de US$ 30 bilhões em exportações, uma retração próxima de 20% em relação a 2025. No Rio Grande do Sul, as perdas podem alcançar US$ 1,2 bilhão, comprometendo investimentos, produção e competitividade.
Entretanto, o efeito mais preocupante não está apenas na balança comercial. Ele chega ao bolso dos brasileiros. A redução das exportações significa menos faturamento para as empresas, menor distribuição de lucros, desaceleração dos investimentos e menor capacidade de geração e manutenção de empregos.
Calcula-se que empresários, sócios e trabalhadores da indústria gaúcha deixem de receber aproximadamente US$ 400 milhões, o equivalente a R$ 2,2 bilhões que deixarão de circular na economia. Esse dinheiro faz falta no comércio, nos serviços, no turismo e nos pequenos negócios.
A consequência é uma retração estimada em R$ 550 milhões sobre os lucros e salários que movimentam o varejo gaúcho, reduzindo consumo, investimentos e arrecadação. É um efeito em cascata. A tarifa aplicada aos produtos brasileiros transforma-se, na prática, em um imposto invisível sobre toda a população.
O exportador perde mercado, a indústria reduz sua atividade, o trabalhador vê sua renda ameaçada e o comerciante vende menos. No final da cadeia, quem paga a conta é o cidadão.
Soberania não se mede pela intensidade dos discursos, e sim, pela capacidade de defender os interesses nacionais com inteligência, diálogo e competência. Mercados internacionais não se conquistam com confrontos ideológicos, entretanto, com credibilidade, previsibilidade e habilidade negocial.
O Brasil não pode naturalizar a perda de mercados estratégicos nem aceitar que decisões diplomáticas mal conduzidas comprometam empregos, renda e desenvolvimento. Em comércio exterior, a conta sempre chega. E, quando a negociação fracassa, quem acaba sendo tarifado é o próprio brasileiro. A conta chegará!
O tempo da reconstrução não é amanhã. É agora.
“É tempo de viver coisas novas. Nos preparemos.”



