Comércio no limite

18 de agosto de 2026
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O comércio brasileiro está diante de uma encruzilhada. O problema já não é apenas vender mais. É sobreviver, investir, competir e preservar empregos em um ambiente econômico que, há anos, combina inflação descontrolada, que corrói renda de pessoas e famílias, juros elevados, crédito caro, inadimplência, carga tributária pesada, burocracia e consumo pressionado.

O alerta mais recente veio do próprio varejo: o Grupo Casas Bahia ingressou com pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas, depois de fechar 298 lojas e realizar milhares de desligamentos. Entre junho de 2025 e junho de 2026, o número de empresas varejistas em recuperação judicial aumentou 20,4%.Não se trata de afirmar que todos os problemas sejam responsabilidade do Estado. Empresas também erram.

Estratégias ultrapassadas, endividamento excessivo, estruturas caras, resistência à inovação e decisões equivocadas podem destruir negócios. Porém, é preciso reconhecer um fato: nenhuma gestão, por mais competente que seja, consegue indefinidamente neutralizar um ambiente econômico adverso.

O empresário precisa fazer sua parte. Precisa conhecer profundamente o consumidor, controlar custos, proteger margens, negociar melhor, utilizar tecnologia, inteligência artificial, dados, canais digitais e transformar atendimento em vantagem competitiva. Entretanto, o poder público também precisa fazer a sua.

Não é razoável exigir produtividade de empresas sufocadas por um sistema tributário complexo, crédito proibitivo, burocracia excessiva e insegurança regulatória. Competitividade não nasce de discurso. Nasce de condições concretas para produzir, investir, contratar e vender.

O movimento de empresas brasileiras em direção ao Paraguai deveria ser tratado como um sinal de alerta. Mais de 200 empresas brasileiras já instalaram operações no país vizinho, atraídas por custos menores e pelo regime de Maquila, cuja tributação sobre operações de exportação pode chegar a apenas 1%.

Quando uma empresa atravessa uma fronteira para continuar competitiva, não está levando apenas máquinas. Leva investimentos, empregos, renda, conhecimento e arrecadação.
É preciso compreender a dimensão disso.

O comércio também não pode mais esperar passivamente pelo consumidor. O consumidor mudou. Pesquisa, compara, negocia e compra onde percebe valor. A loja física deixou de ser o centro exclusivo da relação comercial. Instagram, WhatsApp, marketplaces, e-commerce e inteligência artificial mudaram definitivamente a jornada de compra. Portanto, a transformação empresarial é inevitável.

Entretanto, existe uma diferença entre exigir que o empresário se adapte e obrigá-lo a competir permanentemente contra um ambiente que reduz sua capacidade de adaptação.
O Brasil precisa escolher que tipo de economia quer construir.

Uma economia que penaliza quem produz, investe e emprega ou uma economia que cria condições para que empresas cresçam, inovem, concorram e gerem prosperidade?
O comércio não pede privilégios. Pede condições para competir.

Porque quando uma empresa fecha, não desaparece apenas um CNPJ. Desaparecem empregos, renda, fornecedores, impostos, oportunidades e, na maioria das vezes, décadas de história.
O comércio não pode mais esperar pelo cliente. E o empresário também não pode continuar esperando que o ambiente econômico melhore sozinho.

É hora de reconstruir o ambiente de negócios. Antes que a recuperação judicial deixe de ser exceção e passe a ser sintoma de uma economia que perdeu sua capacidade de gerar competitividade.

O tempo da reconstrução não é amanhã. É agora.

“É tempo de viver coisas novas. Nos preparemos.”

Vitor Augusto Koch

Presidente da FCCS-RS 

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