O Brasil tem atributos para voltar a crescer, gerar riqueza e se aproximar do grupo das nações desenvolvidas. Entretanto, potencial não basta.
É preciso transformar vantagens comparativas em competitividade, investimentos e empregos de qualidade. Para isso, a vontade política deve caminhar ao lado do capital privado, com pragmatismo, segurança jurídica e visão de longo prazo.
O mundo mudou. A globalização, como a conhecíamos, marcada pela agenda de Meio Ambiente, Social e Governança, perdeu espaço. O propagado “ESG” ganha nova aplicação: Economia, Segurança e Geopolítica.
Competitividade deixou de ser apenas uma questão econômica: tornou-se fator de soberania. China e Estados Unidos disputam influência e redesenham cadeias produtivas.
A China tende a reduzir dependências externas, contudo, continuará necessitando de alimentos, energia e minerais — áreas nas quais o Brasil possui vantagens extraordinárias. Já os Estados Unidos permanecem um centro de inovação, capital e tecnologia. Precisamos ampliar relações com ambos, sem ideologias ou retóricas, defendendo os interesses nacionais.
A expansão dos países emergentes, que cresceram mais que o G7 nos últimos anos, abre novos mercados para alimentos, energia, infraestrutura, mobilidade e tecnologia. A revolução dos data centers e da inteligência artificial acrescenta outra oportunidade: matriz energética limpa, minerais estratégicos e escala colocam o Brasil em posição privilegiada.
Porém, há um dever de casa inadiável. Educação básica deficiente, infraestrutura precária, juros elevados, crédito caro, carga tributária complexa, insegurança jurídica e gastos públicos sem controle reduzem nossa produtividade.
Sem equilíbrio fiscal e controle da relação dívida/PIB, nenhum projeto de desenvolvimento será sustentável. O Brasil não precisa de mais bravatas. Precisa de políticas públicas desenvolvimentistas, gestores qualificados, defesa comercial eficiente, inovação, infraestrutura moderna e um ambiente de negócios competitivo.
O gigante Brasil está diante de uma oportunidade histórica.Transformá-la em desenvolvimento dependerá de nossa capacidade de abandonar ideologias, privilégios e miopias políticas.
O tempo da reconstrução não é amanhã. É agora.
“É tempo de viver coisas novas. Nos preparemos.”



