Vivemos um período de incerteza e apreensão marcado por fatos graves que ocupam as manchetes e expõem fragilidades estruturais do país. Temas como inflação elevada, uma das maiores taxas de juros do mundo, retração do capital circulante e recessão deixaram de ser apenas indicadores econômicos para se tornarem sinais de um problema mais profundo.
Um dos elos preocupantes é a iminente crise do sistema previdenciário. O Brasil acumula quase três milhões de pedidos de aposentadoria pendentes. O caixa é deficitário, os recursos são insuficientes e a sustentabilidade do sistema está ameaçada. O alerta do Tribunal de Contas da União é claro: se nada for feito, o país pode enfrentar um colapso previdenciário, com risco real de interrupção no pagamento de benefícios.
O quadro se agrava com o aumento da informalidade e do assistencialismo. Menos contribuintes sustentam um número crescente de beneficiários. Soma-se a isso o aumento da expectativa de vida e a queda da taxa de natalidade. A conta, simplesmente, não fecha. O resultado tende a ser mais tempo de contribuição e benefícios cada vez menores.
Outro elo crítico é a crise de credibilidade do IBGE. A exoneração da coordenadora responsável pelo cálculo do PIB provocou uma debandada técnica e reacendeu conflitos internos. Um instituto historicamente respeitado passa a ser questionado, comprometendo dados essenciais para decisões econômicas, investimentos e políticas públicas.
O terceiro elo é o maior escândalo financeiro da história recente, que culminou na liquidação extrajudicial de uma instituição pelo Banco Central. O rombo bilionário, as fraudes contábeis e a emissão de créditos fictícios levantam uma pergunta inevitável: como um sistema tão rigoroso demorou tanto para identificar um caixa de apenas milhões frente a ativos declarados em dezenas de bilhões?
Enquanto investidores aguardam a liquidação e ações judiciais avançam, narrativas tentam justificar omissões, encontros não oficiais e relações obscuras. O país caminha perigosamente sobre uma base frágil, como as ilhas de junco do Lago Titicaca.
Esses três elos — previdência, credibilidade institucional e crime financeiro — ajudam a dimensionar a profundidade do buraco em que o Brasil se encontra.
Diante disso, a atitude individual torna-se questão de sobrevivência: cortar gastos, poupar, aprender a investir e planejar o futuro. Não importa o tamanho da renda atual. O essencial é começar agora, para não depender amanhã de um sistema cada vez mais frágil.
O assistencialismo cresce. A responsabilidade fiscal, não.



