Encerrado o segundo turno das eleições, sem juízo de valor sobre escolhas políticas, impõe-se uma reflexão sobre o futuro econômico do Brasil. Quem acredita em um país próspero, empreendedor, capaz de gerar empregos, renda e riqueza, precisa olhar com preocupação para as medidas anunciadas pelo governo e seus possíveis efeitos sobre as contas públicas.
As iniciativas econômicas e sociais anunciadas em ano eleitoral ultrapassam R$ 350 bilhões em valores mobilizados, segundo os levantamentos divulgados. O conjunto reúne financiamentos, subsídios, benefícios sociais e renúncias tributárias.
É necessário esclarecer: esse montante não representa despesa integral já realizada pelo Tesouro, pois parte corresponde a crédito reembolsável, e vários programas ainda dependem de regulamentação ou aprovação legislativa. O problema, contudo, permanece: qual será o custo efetivo dessas medidas e como será financiado?
Perdão de dívidas tributárias, transferências diretas, juros subsidiados e ampliação de benefícios exigem transparência, responsabilidade fiscal e avaliação rigorosa de resultados. A intenção de ajudar famílias e pequenos empreendedores pode ser legítima; a sustentabilidade dessas ações, porém, não pode ser ignorada.
Se o Brasil apresentasse contas equilibradas, despesas controladas e serviços públicos eficientes, muitas dessas iniciativas seriam mais facilmente absorvidas. Entretanto, diante do desequilíbrio fiscal, do endividamento e da persistência de juros elevados, ampliar compromissos sem fontes permanentes de financiamento pode agravar os riscos econômicos e aumentar a pressão por novos impostos.
A realidade dos balcões e das famílias revela outra contradição: milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para honrar compromissos. Microempreendedores, pequenas empresas e consumidores precisam de crédito acessível, segurança jurídica, produtividade e um ambiente favorável à atividade econômica — não de soluções pontuais que possam cobrar seu preço adiante.
O Brasil não sairá da crise distribuindo benefícios sem avaliar sua capacidade de sustentá-los. A conta pública não desaparece: transforma-se em dívida, juros, inflação ou maior carga tributária.
2027 exige responsabilidade, não improvisação. O futuro das empresas, dos empregos e das próximas gerações depende de escolhas que conciliem proteção social, equilíbrio fiscal e liberdade para empreender.
Governar é também ter coragem de dizer que os recursos são limitados e que cada promessa precisa caber no orçamento. Adiar essa realidade não elimina o problema; apenas torna a conta mais pesada para todos.
O tempo de reconstruir não é amanhã. É agora.
– “É tempo de viver coisas novas. Preparemo-nos.”



